Este espaço foi criado para exibir trabalhos dos meus alunos, meus trabalhos de pesquisa, textos e aulas que possam ajudar os alunos de filosofia e sociologia do CE Olga Benário Prestes e Ciep Maria Werneck de Castro a analisar e compreender as questões sugeridas pelas escolas, cursos e pela sociedade em geral.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
conhecer X conhecido
"O conhecido, isto é, aquilo a que estamos habituados, de modo que não mais nos admiramos, nosso cotidiano, alguma regra em que estamos inserido, toda e qualquer coisa em que nos sentimos em casa: - como? Nossa necessidade de conhecer não é justamente essa necessidade do conhecido? a vontade de, em meio a tudo o que é estranho, inabitual, duvidoso, descobrir algo que não mais nos inquiete? E o júbilo dos que conhecem não seria precisamente o júbilo do sentimento de segurança reconquistado?(...) Erro dos erros! O familiar é o habitual; e o habitual é o mais difícil de "conhecer", isto é, de ver como problema, como alheio, distante, 'fora de nós'..." (Nietzsche - Gaia Ciência).
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Epicuro
"...a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efêmera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade..."
"...a morte não significa nada para nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos. A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos..."
"O sábio...Assim como opta pela comida mais saborosa e não pela mais abundante, do mesmo modo ele colhe os frutos de um tempo bem vivido, ainda que breve".
"Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais."
(EPICURO, Carta sobre a felicidade, Editora Unesp).
"...a morte não significa nada para nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos. A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos..."
"O sábio...Assim como opta pela comida mais saborosa e não pela mais abundante, do mesmo modo ele colhe os frutos de um tempo bem vivido, ainda que breve".
"Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais."
(EPICURO, Carta sobre a felicidade, Editora Unesp).
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Aristóteles e a Eudaimonia
“... em nosso entender, o bem que apenas deve buscar-se por si mesmo é mais definitivo que aquele que se procura em vista de outro bem ... numa palavra, o perfeito, o definitivo, o completo, é o que é eternamente apetecível em si, e que nunca o é em vista de um objeto distinto dele.
Eis aí precisamente o caráter que parece ter a felicidade; buscamo-la por ela e só por ela, e nunca com mira em outra coisa. Pelo contrário, quando buscamos as honras, o prazer, a ciência, a virtude, sob qualquer forma que seja, desejamos, indubitavelmente, todas essas vantagens por si mesmas; pois que, independentemente de toda outra consequência, desejaríamos cada uma delas; todavia, desejamo-las também com mira na felicidade, porque cremos que todas essas diversas vantagens no-la podem assegurar...
Eis aí precisamente o caráter que parece ter a felicidade; buscamo-la por ela e só por ela, e nunca com mira em outra coisa. Pelo contrário, quando buscamos as honras, o prazer, a ciência, a virtude, sob qualquer forma que seja, desejamos, indubitavelmente, todas essas vantagens por si mesmas; pois que, independentemente de toda outra consequência, desejaríamos cada uma delas; todavia, desejamo-las também com mira na felicidade, porque cremos que todas essas diversas vantagens no-la podem assegurar...
O meio mais seguro de alcançar esta completa noção é saber qual é a obra própria do homem. (...) Viver é uma função comum ao homem e às plantas, e aqui apenas se busca o que é exclusivamente especial ao homem; é por isso necessário pôr de lado a vida de nutrição e de desenvolvimento. Em seguida vem a vida da sensibilidade, mas esta, por sua vez, mostra-se igualmente comum a todos os seres - o cavalo, o boi, e em geral a todos os animais, tal como ao homem. Resta, portanto, a vida ativa do ser dotado de razão. Mas neste ser deve distinguir-se a parte que não possui diretamente a razão e se serve dela para pensar... E assim o próprio do homem será o ato da alma em conformidade com a razão...” (Aristóteles, in 'Ética a Nicômaco').
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Professora Andrea Ramos: Epicuro e Estóicos - A felicidade
Professora Andrea Ramos: Epicuro e Estóicos - A felicidade: A felicidade Epicuro e a Felicidade · Epicuro (341 – 271 a. C.) recomenda o caminho do prazer (hedonismo); · A felicidade...
Epicuro e Estóicos - A felicidade
A felicidade
Epicuro e a Felicidade
· Epicuro (341 – 271 a. C.) recomenda o caminho do prazer (hedonismo);
· A felicidade resulta da satisfação dos desejos;
· No mundo tudo é material;
· No ser humano tudo é sensação;
· Ser feliz é sentir prazer;
· Todos buscam o prazer e fogem da dor;
· É preciso criar as condições para ter apenas prazer;
· Prazer é ausência de dor.
O que causa infelicidade – como ser feliz
· Crenças e religiões causam angústias e infelicidade: fomentam o medo de punições e da intervenção divina na vida humana;
· Compreender que tudo é matéria faz com que o medo dos deuses não tenha sentido;
· Medo da morte (de um ente querido ou de si mesmo) traz angústia e infelicidade;
· Compreender que a morte não é nada já que tudo é matéria e sensação e a morte leva à ausência de sensação;
· Ter consciência disso tudo leva a viver essa vida que flui e a não querer o que não existe (imortalidade e infinitude);
Os desejos
· É preciso e eliminar certos desejos e manter outros, mas de modo moderado;
· Há desejos naturais e necessários: comer, beber e dormir.
· Há desejos naturais e desnecessários: comer alimentos caros, dormir em lençóis de seda.
· Há desejos não naturais e desnecessários: riqueza, fama e poder.
· O melhor é querer o que é natural e necessário, com moderação;
· Essa conduta não traz decepções.
· Essa escolha é racional: escolher os prazeres mais duradouros e que encantem o espírito.
· A escolha racional dos prazeres: autarquia.
· Indiferença (felicidade suprema): ataraxia .
Os Estóicos e o amor ao destino
· Felicidade é viver se acordo com a ordem cósmica do mundo;
· É preciso amar o destino que está inscrito nessa ordem cósmica;
· Se não sabemos qual é nosso destino, então devemos amar o acaso;
· O “Kosmos” é composto de matéria e inteligência ativa (Providência);
· A Providência pode ser associada a Deus, mas um Deus imanente que se confunde com a natureza;
· Tudo o que acontece tem uma razão de ser, então tudo é necessário;
· O que não pode deixar de ser deve ser percebido como bom;
· O bem individual deve se submeter ao bem universal;
· Ser feliz não é ter tudo o que se deseja (isso não se realizaria e não seríamos felizes);
· Há coisas que dependem de nós e coisas que não dependem de nós;
· Por exemplo: ser bom e generoso depende de nós, mas conquistar o ser amado não depende;
· O ser humano é dotado de vontade: para querer ou não as coisas, embora possa ser obrigado a fazer o que não quer;
· A felicidade está em querer somente o que depende de mim e o que me faz feliz.
Como agir:
· Coisas boas: o que depende de nós e que nos fazem felizes;
· Coisas más: o que depende de nós mas não nos fazem felizes;
· Coisas indiferentes: não dependem de nós e com elas não devemos nos preocupar, como a morte.
Infelicidade:
· Não evitar as coisas más e se preocupar com as coisas indiferentes.
Objetivo dos Estóicos:
· Apatia e ataraxia.
Amor Fati:
· Amor aos fatos, ao destino, ao acaso.
· Tudo faz parte da ordem universal, por isso tudo o que acontece e que não depende do ser humano é bom.
· Devemos querer o que somos, o que acontece, como se fosse também da nossa vontade;
· Devemos afirmar a vida, que são os acontecimentos, e não renegá-la visando um mundo que não existe.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Lenda grega sobre a busca pelo ser que nos completa!
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| O beijo - Rodin |
Em busca da cara-metade ou da alma –gêmea
No início, a raça dos homens não era como hoje, não havia apenas dois sexos. Segundo o livro "O Banquete", de Platão, existiam três criaturas míticas proto-humanas.
No livro, o comediógrafo Aristófanes descreve como teriam surgido os diferentes sexos.
Havia antes três seres: Andros, Gynos e Androgynos, sendo Andros uma entidade masculina, Gynos feminina e Androgynos masculina e feminina. Todas essas criaturas eram compostas de oito membros e duas cabeças, ambas masculinas, femininas ou metade masculina, metade feminina, no caso de Androgynos. Seus órgãos sexuais também seguiam o mesmo padrão: dois masculinos, ou dois femininos ou um masculino e um feminino.
A Mitologia Grega conta que Zeus declarou guerra ao seu pai Cronos e aos demais Titãs com a ajuda de Gaia. E durante cem anos nenhum dos dois lados chegava ao triunfo. Gaia foi até Zeus e prometeu que ele venceria e se tornaria rei do universo se descesse ao Tártaro e libertasse os Ciclopes e os Hecatônquiros filhos de Gaia.
Ouvindo os conselhos de Gaia, Zeus venceu Cronos, com a ajuda dos filhos libertos da Terra e se tornou o novo soberano do Universo. Todavia, Zeus realizou um acordo com os Hecatônquiros para que estes vigiassem os Titãs, que Zeus voltou a aprisionar no fundo do Tártaro. Gaia então se revoltou com a traição de Zeus e lançou mão de todas as suas armas para destroná-lo.
Como vingança ela pariu incontáveis Andróginos, seres com quatro pernas e quatro braços que se ligavam por meio da coluna vertebral terminado em duas cabeças, além de possuir os órgãos genitais femininos e masculinos.
Essa criatura primordial era redonda: suas costas e seus lados formavam um círculo e ela possuía quatro mãos, quatro pés e duas cabeças com duas faces exatamente iguais, cada uma olhando numa direção, pousada num pescoço redondo. A criatura podia andar ereta, como os seres humanos fazem, para frente e para trás.
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| O beijo - Brancussi |
Mas podia também rolar sobre seus quatro braços e quatro pernas, cobrindo grandes distâncias, velozes como um raio de luz. Eram redondos porque redondos eram seus pais: o homem era filho do Sol. A mulher, da Terra. E o par, um filhote da Lua.
Os Andróginos surgiam do chão em todos os quadrantes da Terra, sua força era extraordinária e seu poder imenso. E isso tornou-os ambiciosos, levando-os a desafiar os Deuses e a escalar o Monte Olimpo com a intenção de destronar Zeus e destruir os Deuses.
Reunidos no conselho celeste, Zeus aconselhado por Têmis, decidiu que ele e os demais Deuses deveriam acertar os Andróginos na coluna, de modo a dividi-los exatamente ao meio, para que se tornassem menos poderosos, sem precisar aniquilá-los.Pois aniquilar as criaturas significaria ficar sem os sacrifícios, as homenagens e a adoração. Mas insolência das criaturas era totalmente inadmissível, e por isso deveriam ser castigadas.
Portanto o Grande Zeus decidiu deixá-los viver, mas divididos para torná-los mais humildes e fracos e assim diminuir seu orgulho fazendo-os andar sobre duas pernas, diminuindo sua força e poder, com a vantagem de aumentar seu número. A medida que as criaturas eram cortadas em dois, Apolo ia virando suas cabeças, para que pudessem contemplar eternamente sua parte amputada, como uma lição de humildade. Apolo também curou suas feridas, deu forma ao seu tronco e moldou sua barriga, juntando a pele que sobrava no centro formando o umbigo, para que eles lembrassem do que haviam sido um dia.
Seccionado Andros, originaram-se dois homens, que apesar de terem seus corpos agora separados, tinham suas almas ligadas, por isso ainda eram atraídos um pelo o outro. O mesmo ocorrendo com os outros dois seres Gynos e Androgynos.
E foi aí que as criaturas começaram a morrer. Morriam de fome e de desespero. Abraçavam-se e deixavam-se ficar assim até a morte. E quando uma das partes morria, a outra ficava à deriva, procurando, procurando...até morrer também.
Zeus ficou preocupado com o destino das criaturas, pois se isso continuasse, elas acabariam por se extinguir, então aconselhado por Têmis, ele ordenou a Apolo que virasse as partes reprodutoras dos seres para a sua nova frente, para que através do ato sexual pudessem estar novamente unidos ainda que por alguns momentos. Se antes, eles copulavam com a terra de agora em diante, se reproduziriam entre eles, um homem numa mulher, num abraço. Assim a raça não morreria e os Deuses continuariam a ser adorados e reverenciados.
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| O beijo - klimt |
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Filosofia - Quarto Bimestre - Terceiro Ano
Eros e Psiqué
Era uma vez um rei que tinha três filhas. Duas eram lindas, mais a mais nova era muito, muito mais bonita. Dizia-se até que Afrodite - a deusa da beleza - não era tão bonita quanto Psiqué (esse era seu nome). Os templos de Afrodite andavam vazios porque as pessoas, principalmente os homens, passaram a cultuar aquela princesa maravilhosa. Afrodite ficou com ciúme e pediu para seu filho, Eros, preparar uma vingança. Ela queria que Psiqué se apaixonasse por um monstro horrível. Só que Eros também acabou sendo atingido pelos encantos da menina. Ele ficou tão maravilhado ao ver Psiqué que não conseguiu cumprir a ordem da mãe.
O estranho é que todos aqueles homens que ficavam enfeitiçados com sua beleza não se aproximavam e nem tentavam namorá-la. As duas irmãs, que perto da caçula não tinham a menor graça, logo arranjaram pretendentes e cada uma se casou com um rei. A família ficou preocupada com a solidão de Psiqué. Então, um dia, o pai resolveu perguntar ao oráculo de Apolo o que deveria fazer para a menina arranjar um marido. O que ele não sabia é que Eros já havia pedido a Apolo para ajudá-lo a cumprir aos planos de sua mãe. A resposta que o rei levou para casa o deixou muito mais preocupado do que já estava: o deus falou que Psiqué deveria ser vestida de luto e abandonada no alto de uma montanha, onde um monstro iria buscá-la para fazer dela sua esposa.
Embora muito triste, a família cumpriu essas determinações e Psiqué foi deixada na montanha. Sozinha e desesperada, ela começou a chorar. Mas, de repente, surgiu uma brisa suave que a levou flutuando até um vale cheio de flores, onde havia um palácio maravilhoso, com pilares de ouro, paredes de prata e chão de pedras preciosas.
Ao passar pela porta ouviu vozes que diziam assim: "Entre, tome um banho e descanse. Daqui a pouco será servido o jantar. Essa casa é sua e nós seremos seus servos. Faremos tudo o que a senhora desejar". Ela ficou surpresa. Esperava algo terrível, um destino pior que a morte e agora era dona de um palácio encantado. Só uma coisa a incomodava: ela estava completamente sozinha. Aquelas vozes eram só vozes, vinham do ar.
A solidão terminou à noite, na escuridão, quando o marido chegou. E a presença dele era tão deliciosa que Psiqué, embora não o visse, tinha certeza de que não se tratava de nenhum monstro horroroso.
A partir de então sua vida ficou assim: luxo, solidão e vozes que faziam suas vontades durante o dia e, à noite, amor. Acontece que a proibição de ver o rosto do marido a intrigava. E a inquietação aumentou mais ainda quando o misterioso companheiro avisou que ela não deveria encontrar sua família nunca mais. Caso contrário, coisas terríveis iam começar a acontecer.
Ela não se conformou com isso e, na noite seguinte, implorou a permissão para ver pelo menos as irmãs. Contrariado, mas com pena da esposa, ele acabou concordando. Assim, durante o dia, quando ele estava longe, as irmãs foram trazidas da montanha pela brisa e comeram um banquete no palácio.
Só que o marido estava certo, a alegria que as duas sentiram pelo reencontro logo se transformou em inveja e elas voltaram para casa pensando em um jeito de acabar com a sorte da irmã. Nessa mesma noite, no palácio, aconteceu uma discussão. O marido pediu para Psiqué não receber mais a visita das irmãs e ela, que não tinha percebido seus olhares maldosos, se rebelou, já estava proibida de ver o rosto dele e agora ele queria impedi-la de ver até mesmo as irmãs? Novamente, ele acabou cedendo e no dia seguinte as pérfidas foram convidadas para ir ao palácio de novo. Mas dessa vez elas apareceram com um plano já arquitetado.
Elas aconselharam Psiqué a assassinar o marido. À noite ela teria que esconder uma faca e uma lamparina de óleo ao lado da cama para matá-lo durante o sono.
Psiqué caiu na armadilha. Mas, quando acendeu a lamparina, viu que estava ao lado do próprio Eros, o deus do amor, a figura masculina mais bonita que havia existido. Ela estremeceu, a faca escorregou da sua mão, a lamparina entornou e uma gota de óleo fervente caiu no ombro dele, que despertou, sentiu-se traído, virou as costas, e foi embora. Disse: "Não há amor onde não há confiança".
Psiqué ficou desesperada e resolveu empregar todas as suas forças para recuperar o amor de Eros, que, a essa altura, estava na casa da mãe se recuperando do ferimento no ombro. Ela passava o tempo todo pedindo aos deuses para acalmar a fúria de Afrodite, sem obter resultado. Resolveu então ir se oferecer à sogra como serva, dizendo que faria qualquer coisa por Eros.
Ao ouvir isso, Afrodite gargalhou e respondeu que, para recuperar o amor dele, ela teria que passar por uma prova. Em seguida, pegou uma grande quantidade de trigo, milho, papoula e muitos outros grãos e misturou. Até o fim do dia, Psiqué teria que separar tudo aquilo.
Era impossível e ela já estava convencida de seu fracasso quando centenas de formigas resolveram ajudá-la e fizeram todo o trabalho.
Surpresa e nervosa por ver aquela tarefa cumprida, a deusa fez um pedido ainda mais difícil: queria que Psiqué trouxesse um pouco de lã de ouro de umas ovelhas ferozes. Percebendo que ia ser trucidada, ela já estava pensando em se afogar no rio quando foi aconselhada por um caniço (uma planta parecida com um bambu) a esperar o sol se pôr e as ovelhas partirem para recolher a lã que ficasse presa nos arbustos. Deu certo, mas no dia seguinte uma nova missão a esperava.
Agora Psiqué teria que recolher em um jarro de cristal um pouco da água negra que saía de uma nascente que ficava no alto de uns penhascos. Com o jarro na mão, ela foi caminhando em direção aos rochedos, mas logo se deu conta de que escalar aquilo seria o seu fim. Mais uma vez, conseguiu uma ajuda inesperada: uma águia apareceu, tirou o jarro de suas mãos e logo voltou com ele bem cheio de água negra.
Acontece que a pior tarefa ainda estava por vir. Afrodite dessa vez pediu a Psiqué que fosse até o inferno e trouxesse para ela uma caixinha com a beleza imortal. Desta vez, uma torre lhe deu orientações de como deveria agir, e, assim, ela conseguiu trazer a encomenda.
Tudo já estava próximo do fim quando veio a tentação de pegar um pouco da beleza imortal para tornar-se mais encantadora para Eros. Ela abriu a caixa e dali saiu um sono profundo, que em poucos segundos a fez tombar adormecida.
A história acabaria assim se o amor não fosse correspondido. Por sorte Eros também estava apaixonado e desesperado. Ele tinha ido pedir a Zeus, o deus dos deuses, que fizesse sua mãe parar com aquilo para que eles pudessem ficar juntos.
Zeus então reuniu a assembléia dos deuses (que incluía Afrodite) e anunciou que Eros e Psiqué iriam se casar no Olimpo e ela se tornaria uma deusa. Afrodite aceitou porque,
percebendo que a nora iria viver no Olimpo, ocupada com o marido e os filhos, os homens voltariam a cultuá-la.
Eros e Psiqué tiveram uma filha chamada Volúpia e, é claro, viveram felizes para sempre.
- Eros é o deus do amor; palavras e noções como erótico e erotismo são proveniente do grego EROS.
- Afrodite, deusa do amor e da beleza, dá origem à palavra e noção de afrodisíaco.
- Psiqué, em grego, significa alma. Assim, as palavras, noções e profissões que tem a ver com a psique (psiquiatria, psicologia, psíquico), têm a ver com a alma ou os sentimentos e as emoções mais profundas do ser humano
O mito de Eros e Psiqué é a história da ligação necessária entre o amor e a alma; traz também a mensagem de que sem confiança não há amor.
sábado, 1 de outubro de 2011
FOTOS DO SAPEC 2011
Essas são algumas das fotos da Semana de Atividades Pedagógicas e Culturais do Colégio Estadual Olga Benário Prestes - 2001
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Ciep Maria Werneck de Castro -Revisão para as avaliações do terceiro bimestre do terceiro ano de Filosofia
Filosofia – terceiro Ano – Professora: Andrea Ramos
Revisão do 3º. bimestre
Michel Foucault e a sociedade disciplinar e de controle: Sociedade Moderna cria instituições capazes de exercer vigilância contínua sobre as pessoas com o objetivo de padronizar os comportamentos. Vigilância e punição não precisam mais ser sinônimo de aprisionamento e violência física. O panóptico está por toda parte, vigiando sem ser visto; punindo sutilmente e formando os corpos dóceis, obedientes e padronizados.
O biopoder é exercido sobre as populações no intuito de padronizar sua saúde e sua doença. podendo classificar os indivíduos ou grupos como normais ou patológicos. Há instrumentos e cálculos que medem a partir de parâmetros preestabelecidos e ditam o que é a temperatura normal, a pressão arterial normal, o peso, a altura, expectativa de vida, natalidade, etc. como consequência, uma série de medidas preventivas e curativas são tomadas por parte das instituições de saúde: campanhas pela vacinação, pelo uso de preservativos, etc. de acordo com o que é desejável para aquela população.
Ideologia – sistema de idéias; uma forma de consciência; uma explicação da realidade;...
Para o filósofo alemão Karl Marx, a ideologia é um falseamento da realidade porque ela é uma explicação forjada para encobrir a situação social real: a exploração do trabalho pela classe dominante; a desigualdade da sociedade de classes; a alienação do trabalhador; a pequena probabilidade de mobilidade social pelo trabalho; a “coisificação” do homem; a “humanização” da mercadoria; a reificação do sistema.
Essa explicação ilusória tem como objetivo, então, manter a população sem consciência do que está realmente acontecendo, manter o trabalhador sem consciência de classe – que o levaria a perceber que muitas outras pessoas sofrem da mesma exploração e estigmatização que ele, transformando pessoas em coisas (coisa não pensa, não deseja, não cria) e a população em massa.
Massa: amontoado de matéria sem forma, pois está ali para ser manipulada e moldada. Se uma população é percebida como massa, ela vai receber a forma que a elite que detém o poder dominante, que se faz perceber como detentora das verdades, quiser. Assim, os meios de comunicação de massa dirigem-se a espectadores “sem rosto”, sem senso crítico, sem identidade. TV e Internet podem informar, distrair, mas sua função principal estaria em formar opiniões pois, desde os telejornais, às telenovelas e propagandas de produtos, todos se dirigem aos espectadores dizendo-lhes o que é certo, o que se deve fazer, vestir e gostar.
A ideologia é bem sucedida no falseamento da realidade de acordo com o seu poder persuasivo e ausência de senso crítico das pessoas. Em geral ela se desenvolve através de:
· Difusão de valores predeterminados; valores tradicionais: o que leva a percepção dos mesmos como sagrados e incontestáveis.
· Discurso generalizante: consegue divulgar os valores de uma classe como sendo os valores válidos para todas as classes.
· Discurso lacunar: omite a verdadeira origem dos valores, o que permite que sejam percebidos como naturais e imutáveis.
Immanuel Kant (1724 – 1804) – Ética e Direito
· A razão humana é legisladora, ou seja, é capaz de elaborar normas universais (válidas para todo ser racional);
· Ser racional: autônomo, livre e autodeterminante, por isso destaca-se do restante da natureza;
· Se é racional, tem a obrigação de viver como agente racional;
· A dignidade humana está em sua racionalidade;
· Dever e liberdade são noções que se confundem, embora pareça que o dever impede a liberdade;
· Ao obedecer a uma norma moral, o ser racional obedece à razão livre, pois foi essa razão que determinou o que é correto;
· Para Kant, agir por dever é agir segundo as normas que a razão livre criou;
· Livre: livre de tutelas, das coerções, dos dogmas.
· O ser humano, ser racional, deve ser considerado como fim e não como meio.
“Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na sua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre como fim e nunca como meio”.
“Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se transforme em lei universal”
· As fórmulas acima são chamadas por Kant de Imperativo categórico: nossa ação, para ser moral, deve poder ser universalizada, realizada por todos os outros indivíduos, sem prejuízo a humanidade.
· Ao questionar se a máxima (mandamento interno) da minha ação pode ser universalizada, estou realizando uma reflexão ética;
· Ao contrário do Imperativo categórico, no Imperativo hipotético (hipótese: ”se eu obedecer eu consigo algo...”) o fim não se confunde com o meio; ou seja, a finalidade da ação não é o cumprimento da norma.
Ex.: Não dirigir alcoolizado por medo da lei Seca e não por respeito à integridade física dos outros e de si mesmo;
· O imperativo categórico se opõe ao “jeitinho brasileiro”, “levar vantagem em tudo”, “os fins justificam os meios”,...
Atualidade do Imperativo categórico
· Do ponto de vista empírico e utilitário, obedecer as leis é sempre mais vantajoso porque não se sofre sanções – isso é o Imperativo hipotético;
· O imperativo categórico segue o princípio da moralidade, tendo como pressuposto a garantia da dignidade do ser racional;
· Nem sempre as ações ocorrem segundo o imperativo categórico e sim segundo o imperativo hipotético.
· Para o Direito o que importa é a ação e não o que motivou a ação.
· Para a ética de Kant, a questão se localiza nas intenções, nos motivos internos do agente.
· Ética e Direito são duas esferas separadas.
· A afirmação “sua liberdade termina onde começa a do outro” não é necessariamente moral se for condicionada pelo medo das punições, pelas regras impostas pela sociedade, etc.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Feira Cultural - CIEP Maria Werneck de Castro
A turma 3001 usou algumas das chamadas novas tecnologias para registrar manifestações culturais cariocas e os problemas sociais que vivemos diariamente. Assim, o objetivo foi usar os recursos tecnológicos de que dispomos a serviço da informação e da crítica. Tudo foi filmado, fotografado ou pesquisado na internet e exibido através de laptop e aparelho datashow. confiram mais fotos na página de fotos desse blog.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Revisão do texto de Kant sobre o Esclarecimento
Kant e o Iluminismo – Século XVIII – Europa
Esclarecimento – tradução alemã para ilustração ou iluminismo – para Kant: um processo de construção da autonomia intelectual.
Iluminismo, Ilustração e Esclarecimento fazem alusão à luz, clareza, em oposição à obscuridade, escuridão.
A razão já havia sido chamada de luz natural do ser humano: o instrumento pelo qual conhece ou reconhece a realidade.
Platão já havia feito a analogia entre conhecimento verdadeiro e iluminação.
O ser humano é racional, possui a faculdade do entendimento mas se não usar essa capacidade natural com autonomia, se tornará um ser tutelado; ou seja, precisará de mentores (outro ser humano) que pense por ele.
Sapere Aude: lema do esclarecimento, segundo Kant. Tenha a coragem de usar sua própria razão de forma autônoma. Raciocine por si mesmo.
O ser humano não é um ser passivo na natureza como os outros seres, segundo Kant. Mas, se for preguiçoso e covarde em termos de raciocínio, se tornará dependente de outros homens.
A preguiça e a covardia mantêm o homem ingênuo, sem senso crítico. É fácil ser tutor de quem não pensa por si mesmo.
Ser menor, tutelado em termos de entendimento é muito mais cômodo e fácil porque outros raciocinarão e criarão em seu lugar; já haverá muitas idéias prontas, muitos dogmas, doutrinas, fórmulas e preceitos criados por outros, para o homem que não pensa por si mesmo seguir.
O ser humano que só obedece sem raciocinar, que só segue o que já está pronto, é como um animal doméstico: adestrado.
O perigo da autonomia intelectual ou do senso crítico é que alguém que ousa usar seu próprio entendimento pode chegar a conclusões que poriam em xeque as leis, os regimes políticos, os mandamentos dos que detém o poder.
Por isso, os tutores amedrontam seu rebanho pois raciocinar pode confrontá-los com aqueles que não querem perder o poder e podem sofrer sanções por essa ousadia.
Em verdade os tutores também não querem perder o poder que mantém sobre seu rebanho (o ser humano passivo, que segue obediente ou sendo tocado como gado).
A dificuldade de caminhar para a maioridade, ou autonomia intelectual, é colocada pela sociedade, já acostumada ás coisas como sempre foram, pelas leis e coerções políticas dos soberanos que não dão liberdade aos seus súditos e porque o “rebanho” se acostumou tanto a ser mandado que nem percebe sua situação e até acredita que faz parte de sua natureza ou destino ser assim.
Para que uma população se esclareça (se torne livre) é preciso que haja liberdade; ou seja, é preciso que seja permitido que se instrua, que expresse seus pensamentos, que possa fazer uso público de seu entendimento.
O esclarecimento é possível. A existência de mentores, ou tutores da consciência dos “rebanhos” é prova disso. Esses homens saíram da menoridade, raciocinam por si mesmos e por isso conseguem formar a consciência dos outros. O problema é que tais tutores não auxiliam os que ainda não estão no processo de esclarecimento a saírem também da menoridade, do senso comum, pois se beneficiam disso.
Para Kant, o esclarecimento é e deve ser um processo lento; quanto mais lento mais abrangente, pois uma revolução (tal como a francesa) pode derrubar uma monarquia, mudar o regime, mas não muda de uma hora para outra o modo como a população vai usar sua capacidade de pensar. As pessoas provavelmente continuarão precisando de tutores para suas consciências, continuarão seguindo as fórmulas e preceitos que lhes forem dados, sem questionar.
Para haver esclarecimento é preciso haver liberdade. Essa liberdade é para que a população tenha espaço para pensar, expressar suas idéias. Kant, não vê essa liberdade no século XVIII. Ao contrário, percebe sempre a ordem: não raciocine!
Uso público da razão não coloca em risco a sociedade, ao contrário, pode auxiliar com idéias novas, que harmonizem mais, que tragam mais progresso científico e felicidade. Um sábio, um homem instruído tem contribuições a dar para o bem da humanidade.
Esse homem instruído é também um cidadão, um funcionário, tem um cargo qualquer dentro da sociedade. Nesse sentido ele não pode desobedecer, deixar de fazer o que se comprometeu a fazer, o que é sua função realizar. Mas pode dirigir-se ao público instruído e pronunciar-se, visando o bem da humanidade. Os deveres civis não podem deixar de ser cumpridos, pois a harmonia social deve ser garantida.
Parece um paradoxo, mas obedecer e usar a razão de modo livre não são atitudes contrárias: Obedeço enquanto cidadão, mas posso criticar o que julgar não ser justo.
Depois de ter começado a marcha do esclarecimento, não há como regredir e voltar a ser tutelado. O homem instruído exerce seu senso crítico sempre, mesmo quando obedece as leis que julga injustas. E se sentirá na obrigação de expressar o que pensa.
Para Kant, o esclarecimento é como uma potência que está na natureza humana e está destinada a se desenvolver. Podem aparecer obstáculos, mas não há como impedir o progresso do entendimento humano. A dignidade humana está em sua racionalidade.
Quando fala em monarquia, fala em autoridade legislativa. O poder absoluto de um monarca se caracteriza pela concentração de poderes; ele legisla, executa as leis e julga também.
Para Kant, o monarca tem esse poder pois reúne a vontade popular na sua vontade. Kant se refere ao despotismo esclarecido: reis que amam as artes, a filosofia e dão certa liberdade aos súditos, contribuindo para seu esclarecimento.
Um monarca que queira representar a vontade da população não deve impor-lhe uma religião, ao contrário, deve zelar para que haja liberdade nesse sentido, zelando pela liberdade de consciência dos seus súditos.
Afirma que sua época não é ainda uma época esclarecida, mas que já está no processo do esclarecimento. Sobretudo na Prússia, sob o reinado de Frederico II, um amante das luzes francesas.
Frederico II teria aberto o caminho para a marcha do esclarecimento ao dar liberdade religiosa aos seus súditos. Seu dever era manter a paz, lutar contra os que queriam tutelá-los.
A preocupação maior é com a religião porque em geral, era nesse campo que os soberanos mais se interessavam em manter o papel de tutores. A tutela religiosa revela-se como uma das mais nocivas á construção da autonomia intelectual porque aprisiona os homens com seus dogmas. Com artes e ciências, os soberanos não se incomodavam.
Frederico II também concedia a liberdade para que os súditos instruídos se pronunciassem em relação às leis. Via nisso uma contribuição positiva.
Contudo, Frederico II mantinha a ordem interna, concedendo liberdade para raciocinar e expressar publicamente as idéias, mas exigindo a obediência ás leis vigentes.
O ser humano tem a vocação natural ao pensamento livre, disso decorre a capacidade da ação livre. Um governo deve então tratar o homem como ser racional. O desenvolvimento dessa racionalidade deve ser a finalidade de todas as ações. Não pensar assim, é perceber o ser humano como animal doméstico ou como máquina cuja função seria somente obedecer.
sábado, 10 de setembro de 2011
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Sobre os três poderes
Alunos do Segundo Ano de Sociologia
Abaixo há uma lista de links com textos bem simples sobre a origem dos três poderes, os três poderes no Brasil e o que ocorreu no período da Ditadura Militar. Além desses sites há a Constituição Brasileira que tem capítulos sobre como se estruturam os três poderes no Brasil democrático. Há postagens anteriores com o link do site que tem o texto completo e atualizado da constituição de 1988.
Abaixo há uma lista de links com textos bem simples sobre a origem dos três poderes, os três poderes no Brasil e o que ocorreu no período da Ditadura Militar. Além desses sites há a Constituição Brasileira que tem capítulos sobre como se estruturam os três poderes no Brasil democrático. Há postagens anteriores com o link do site que tem o texto completo e atualizado da constituição de 1988.
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Quem sou eu
- Andrea Ramos
- Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
- Professora de filosofia e sociologia, graduada e licenciada pela UFRJ; fiz especialização em Filosofia Moderna e Contemporânea na UERJ e sigo estudando tudo o que me interessa e, infelizmente, trabalhando (trabalho-tortura)mais do que gostaria.





















